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O que a Disney pode ensinar aos salões de beleza

  • Foto do escritor: Richard Klevenhusen
    Richard Klevenhusen
  • 11 de mar.
  • 3 min de leitura


Alguns anos atrás, tive a oportunidade de participar de um treinamento na Disney University, o famoso centro de formação da Disney que ensina a cultura de atendimento e gestão da empresa. Foi uma experiência marcante, porque ali percebi que a Disney não vende apenas ingressos para parques, ela vende experiências memoráveis.


Durante o treinamento, você vivencia vários conceitos que vão muito além do entretenimento. Na verdade, eles podem ser aplicados a qualquer negócio que lide com pessoas. E, para mim, ficou muito claro como esses princípios se encaixam perfeitamente no universo dos salões de beleza e do bem-estar.


Um dos primeiros ensinamentos é a forma como a Disney enxerga quem chega até ela. O visitante não é chamado de cliente, mas de “guest”, ou seja, convidado. Essa mudança de palavra revela uma mudança de mentalidade. Quando pensamos em alguém como convidado, a relação muda completamente. No universo da beleza isso significa acolher cada pessoa de maneira única: chamar pelo nome, lembrar preferências, oferecer um café, criar um ambiente de cuidado. São pequenos gestos que fazem alguém se sentir especial.


Outro conceito que me marcou muito é que a experiência começa antes mesmo do atendimento acontecer. Na Disney, tudo é pensado desde o primeiro contato do visitante. Nos serviços de beleza isso também faz toda a diferença: uma confirmação de horário bem feita, uma mensagem gentil lembrando o agendamento ou uma recepção organizada já criam uma expectativa positiva antes mesmo do cliente sentar na cadeira.


Existe também um princípio que a Disney chama de “show”. Em outras palavras, tudo é palco. O ambiente, a organização, a iluminação, a música e até a forma como os profissionais se apresentam fazem parte da experiência. Quando entrei na Disney University percebi que nada ali é por acaso. Cada detalhe contribui para construir aquela sensação de magia. Em um salão de beleza acontece exatamente o mesmo: o espaço precisa transmitir bem-estar, cuidado e profissionalismo. Os profissionais precisam entender que estão em um "palco", sendo observados constantemente.


Outro aprendizado valioso foi sobre a forma de lidar com problemas. Na cultura da Disney, qualquer colaborador é incentivado a resolver a situação imediatamente, sem burocracia. O objetivo é simples: o visitante nunca deve sair frustrado. Esse tipo de postura é extremamente poderoso em qualquer serviço, especialmente em um salão, onde confiança e relacionamento são fundamentais.


Mas talvez um dos princípios mais interessantes seja o de surpreender positivamente. A Disney faz isso o tempo todo com pequenos gestos inesperados. No universo da beleza, essa lógica também funciona muito bem: um tratamento extra, uma amostra de produto, uma mensagem no aniversário ou simplesmente um cuidado a mais no final do atendimento. Esses momentos criam memórias afetivas.


Muito importante também é o valor da padronização da experiência. Na Disney, todos passam pelo mesmo treinamento para garantir que o visitante receba sempre o mesmo nível de qualidade, independentemente de quem esteja atendendo. Em um salão isso significa criar um padrão de acolhimento, diagnóstico, atendimento e despedida. Essa consistência transmite segurança e profissionalismo.


E há ainda um último detalhe que a Disney domina como ninguém: o final da experiência. Eles sabem que as pessoas guardam muito a última impressão. No universo da beleza, isso significa terminar o atendimento com orientação de cuidados, sugestões personalizadas e, muitas vezes, já deixar agendado o próximo momento de autocuidado.


Depois de viver essa experiência na Disney University, passei a olhar qualquer negócio de serviços com outros olhos. Percebi que o verdadeiro diferencial não está apenas no produto ou na técnica, mas na forma como fazemos as pessoas se sentirem.

No fundo, seja em um parque temático ou em um salão de beleza, o que realmente fica na memória não é apenas o serviço prestado, é a experiência vivida.

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