O que o Brasil pode aprender com a Coreia do Sul no mercado de cosmético.
- Richard Klevenhusen

- 24 de set.
- 2 min de leitura

Inovação, cultura e soft power transformaram o país asiático em potência global da beleza. Mas a biodiversidade e a diversidade brasileira podem ser o diferencial para conquistar o mundo.
A Coreia do Sul se tornou, nos últimos anos, uma referência mundial em cosméticos. De máscaras faciais inovadoras a essências multifuncionais, os produtos coreanos conquistaram consumidores de todos os continentes. Esse fenômeno não é apenas resultado da qualidade das fórmulas, mas de uma estratégia integrada que envolve cultura, inovação, apoio governamental e marketing global.
Na sociedade coreana, o cuidado com a pele é visto como símbolo de saúde e status, o que cria uma demanda interna enorme. Para atender esse mercado exigente, as empresas locais investem pesado em pesquisa e desenvolvimento, com ciclos de lançamento curtos e ingredientes diferenciados, como mucina de caracol, ginseng e centella asiática. Além disso, o governo sul-coreano estimula a internacionalização do setor, aproveitando o “K-wave” — a onda cultural do K-pop e dos K-dramas — para transformar cosméticos em parte de sua estratégia de soft power.
O retrato brasileiro
O Brasil, por sua vez, também ocupa posição de destaque: está entre os maiores consumidores de cosméticos do mundo e é líder absoluto em produtos para cabelos. O país possui ainda um trunfo exclusivo: a biodiversidade incomparável da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica, rica em ativos naturais com alto potencial de diferenciação global.
Outro ponto forte é a diversidade do consumidor brasileiro, com ampla gama de tons de pele e tipos de cabelo. Isso oferece às marcas a oportunidade de desenvolver produtos inclusivos, capazes de atender tanto ao mercado interno quanto a diferentes perfis no exterior.
Mas ainda há desafios. O setor nacional investe menos em P&D em comparação aos coreanos, enfrenta burocracias regulatórias que retardam lançamentos e tem presença internacional limitada. Enquanto nomes como Natura e O Boticário se consolidaram, startups e marcas menores ainda encontram barreiras para competir globalmente.
Caminhos para a internacionalização
O Brasil pode se inspirar no modelo coreano em pontos estratégicos:
Agilidade de lançamento: reduzir o tempo entre concepção e chegada ao mercado.
Incentivos governamentais: criar políticas de apoio à exportação de cosméticos, semelhantes às do agronegócio.
Marketing cultural: atrelar produtos à música, moda e influenciadores nacionais, promovendo uma espécie de “Brazilian wave”.
Expansão em skincare: fortalecer a presença em um segmento hoje dominado por marcas estrangeiras.
Inovação em formatos: adaptar texturas e funcionalidades ao clima tropical, unindo proteção solar, hidratação e praticidade.
O futuro da beleza tropical
Enquanto a Coreia conquistou o mundo ao transformar inovação e cultura em estratégia global, o Brasil tem em mãos ativos igualmente poderosos: sua biodiversidade e sua diversidade. Se souber unir esses elementos a um modelo ágil de inovação e uma estratégia agressiva de internacionalização, o país pode deixar de ser apenas um grande consumidor para se tornar também um dos protagonistas da beleza mundial.




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